sábado, 25 de outubro de 2025
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
Substrato Guarani
Projeto feito em parceria com a artista visual Teresa Swiedert, que me convidou para fazer seis peças sonoras a partir de falas de agricultores guarani da aldeia Kalipety. As peças viraram discos de vinil, dos quais foi feita apenas uma unidade de cada. No entanto, é possível escutar a versão digital das peças no site do projeto (escute aqui). Lá você encontra muitas informações sobre este projeto muito especial que a artista resumiu assim:
Substrato Guarani é uma investigação sobre a correlação entre a vida do solo e a vida dos agricultores Guarani Mbyá que vivem na aldeia Kalipety, dentro do território Tenondé Porã, na zona sul de São Paulo.
Substrato Guarani é um exercício de escuta, uma tentativa de tradução dos desenhos e das cores das partículas que compõem o solo junto dos sons que estruturam a palavra de quem planta.
Substrato Guarani é uma composição e uma confluência de coisas, seres, visões, sons e diferentes técnicas.
Substrato Guarani é uma coleção/arquivo de discos de vinil, acompanhado de imagens e textos produzidos por uma diversidade de existências, são elas:
Concepção, coordenação geral do projeto, fotografias e design: Teresa Siewerdt
Agricultores:
Jera Guarani
Pedro Karai Mirĩ
Wera Pires
Wera Mirin Alcides
Karai Poty - Manoel Lima
Karai Claudio
Peças sonoras: Rodolfo Valente
Captação de áudio
Kerexu Mirim
Kerexu Martim
Tradução do Guarani: Jordi Karai Mirĩ
Tradução/leitura da Cromatografia de Pfeiffer: Sebastião Pinheiro
Produção, captação de imagens e marcenaria: Pablo Paniagua
2022
sábado, 12 de junho de 2021
"refúgio" para violoncelo e eletrônica na Escola Superior de Música de Lisboa
Dia 4 de junho de 2021 teve início a Semana da Composição da Escola Superior de Música de Lisboa. Neste evento, o jovem violoncelista Florêncio Manhique interpretou "refúgio" para violoncelo e eletrônica.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
novo álbum Ramos de Luciane Cardassi
Boa escuta a todos!
terça-feira, 16 de abril de 2019
palavratrovão #1
Tomando como ponto de partida a primeira das "thunderwords", palavras de cem letras ou mais que perpassam o Finnegan's Wake, último romance de James Joyce, palavratrovão #1 foi escrita e dedicada para o Ateliê Contemporâneo, da Escola Municipal de Música de São Paulo, grupo coordenado por Tiago Gati.
Com:
Allan Dantas, regente
Gabrielle Camacho, voz
Fabio Simão, trompete
Joachim Emidio, percussão
Samuel Moreira de Mello, violino
Rodrigo Prado, violoncelo
Julio Nogueira, contrabaixo
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
escuta do cinza: ruído e silêncio
segunda-feira, 20 de março de 2017
_gestuário
O projeto _gestuário reúne a dançarina Maíra Alves, o compositor Rodolfo Valente e o violoncelista William Teixeira, espécie de recital para violoncelo, sons eletrônicos e dança, que toma forma em torno de duas áreas nas quais a gestualidade emerge como uma área de investigação privilegiada: a música eletroacústica mista (que combina instrumentos acústicos e sons eletrônicos) e a dança contemporânea. Estreado em outubro de 2016 no estúdiofitacrepe-sp, este projeto visita um repertório construído a partir de colaborações diversas entre seus integrantes Eduardo Frigatti, Felipe de Almeida Ribeiro, Felipe Merker Castellani, Danilo Rossetti. Além de atuar operando os sons eletrônicos em todas as peças, também contribuí para o repertório com o estudo sobre materiais resistentes nº1.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
concertos de outubro

quarta-feira, 4 de maio de 2016
diários da serra da estrela #03: concerto no Conservatório de Música de Seia
No dia 12 de março de 2016, organizei um concerto no Conservatório de Música de Seia como encerramento de minha residência no Festival Dias de Música Electroacústica. O programa mesclava músicas eletroacústicas e instrumentais, incluindo algumas pecas mais antigas, como a puramente acusmática turé tendencioso de 2008 e levante, peca para clarinete solo que escrevi em 2006. Aqui pode-se ouvir a gravação ao vivo da bela interpretação de Carlos Silva, professor de clarinete do Conservatório:
No entanto, o momento mais esperado da noite (ao menos para mim) foi a estreia de diáspora, a peça inédita para quarteto e eletrônica que eu acabara de escrever. Para esta peça convoquei os professores Hugo Passeira (piano), José Pedro Sousa (violoncelo), Ludovic Afonso (violino) e Túlio Augusto (que ficou a cargo de disparar os sons eletrônicos). Carlos Silva passou para o clarinete baixo e eu assumi o posto de regente. Quem quiser dar uma olhada na partitura enquanto escuta a gravação ao vivo, ela está disponível para download na seção "obras" deste site.
Outras atividades que fizeram parte deste meu projeto de residência com apoio do Ibermúsicas foram uma aula de composição na Escola de Música Nossa Senhora do Cabo, em Linda-a-Velha, a convite de Jaime Reis, além de duas oficinas de música eletroacústica, centradas no ambiente de programação SuperCollider. A primeira foi realizada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa e a segunda foi realizada já em território brasileiro na SP Escola de Teatro.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
diário da serra da estrela #02: ideias e materiais para a nova peça
Acerca da ideia de diáspora e o comportamento dos materiais sonoros
A palavra grega diáspora, que pode ser entendida como dispersão, foi escolhida para se referir à dispersão do povo judeu no mundo antigo, há mais de 2000 anos em Alexandria, quando textos sagrados judaicos originalmente escritos em aramaico e hebraico foram traduzidos para o idioma grego, a língua oficial da época. Até o século XIX tal acepção desta palavra parece ter sido dominante. No entanto, mais recentemente a partir do século passado tem se tornado cada vez mais recorrente um uso mais generalizante desta palavra, referindo-se à dispersão de qualquer povo para além dos limites de seu território original. Atualmente, fala-se em diásporas de povos africanos, asiáticos, europeus, americanos, etc.
Quando cheguei a Portugal, o que mais se via nos televisores onipresentes em cafés e restaurantes eram notícias relacionadas à “crise de refugiados” na Europa: grandes contingentes de pessoas fugindo de uma situação atualmente bastante complicada no Oriente Médio. Embora muitos não entendam (ou não queiram entender) a questão em um contexto mais amplo, levando eventualmente a casos de preconceito, xenofobia e intolerância, uma visão mais retrospectiva e abrangente revela que este fenômeno de grandes migrações populacionais não é novo. Em um exemplo não muito distante, a primeira metade do século XX viu grandes contingentes de europeus migrarem para as Américas por conta de dificuldades enfrentadas em suas terras natais. No caso específico de Portugal, trata-se de um país onde a taxa de emigração é atualmente bastante alta se comparada a outros países europeus. Historicamente, a diáspora portuguesa é observada desde pelo menos o tempo das grandes navegações dos séculos XV e XVI. Pessoalmente, mesmo minha família paterna faz parte de uma grande migração portuguesa para o Brasil na década de 1960. Se por um lado, a diáspora de um povo produz afastamentos, também produz novos encontros, como é notável sobretudo nos países da América, cuja alta complexidade étnica é resultante de encontros de indivíduos de origens muitas vezes díspares, que em muitos casos seriam extremamente improváveis em seus países de origem (embora seja necessário não romantizar tais encontros, pois ocorrem muitas vezes em contextos múltiplos de opressão e violência explícita ou implícita). Esta ideia me pareceu atraente.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
diário da serra da estrela #01: escrita de uma nova peça para quarteto e eletrônica
Mesmo antes de decidir qual seria a instrumentação da peça, comecei a trabalhar em alguns materiais pré-composicionais mais abstratos. Desta maneira, eu poderia começara mapear os caminhos a serem percorridos pela composição antes mesmo de dar início à confecção da partitura propriamente dita. Os elementos escolhidos para o início ao trabalho foram a definição do material harmônico e o delineamento das proporções formais. Utilizei-me de estratégias semelhantes às que venho utilizando em algumas peças desde o trio para piano, violino e violoncelo resto do incêndio (2013), que a cada nova peça vão sendo retomadas com ligeiras modificações. Comecei por uma matriz intervalar que intercala intervalos fixos e móveis, que acaba por gerar 12 sequências de 50 notas cada, como no exemplo abaixo, que ilustra a primeira destas sequências utilizadas nesta peça.
A estratégia de utilizar números primos para organizar as divisões e subdivisões, em diversas escalas da forma musical, tem se revelado para mim um caminho bastante rico de possibilidades, que experimentei pela primeira vez em 2008, em liederschaflich, peça escrita para piano e violino, construída a partir de alguns fragmentos de obras de Franz Schubert. Desde então tem sido um elemento recorrente em quase todos os meus trabalhos. De 2013 em diante, comecei a investir também em “acidentes formais”, que seriam desvios nas sequências de números primos provocados por embaralhamentos aleatórios destes números (embora seja um procedimento relativamente simples, acabo fazendo tais sorteios por computador, pela rapidez e facilidade de repetir o sorteio). Porém, vale ressaltar que não atribuo uma autoridade excessiva ao processo de sorteio, não tendo qualquer restrição em repetir um sorteio caso o resultado definitivamente não me pareça adequado, ou mesmo realizar modificações arbitrárias nos resultados, de acordo com critérios mais musicalmente intuitivos (interessante como após alguns trabalhando com sequências numéricas, desenvolve-se um certo "ouvido" para elas). Não há portanto qualquer crença “mágica” de que procedimentos aleatórios possam trazer resultados melhores ou piores do que seriam obtidos sem eles. São apenas estímulos externos que introduzo em meu processo de composição que, muitas vezes, acabam por me sugerir opções fora de uma certa “zona de conforto”, afinal conforme vai se acumulando uma experiência prática em uma atividade é natural que, mesmo que inconscientemente, certos caminhos e soluções que parecem “dar certo” ou “funcionar” acabam por se tornar recorrentes, podendo tornar-se repetitivos e previsíveis.
Convocando os instrumentistas
Em paralelo a estas especulações mais abstratas, fui arregimentando o Ensemble DME e cheguei à seguinte formação: Carlos Silva (clarinete baixo), Hugo Passeira (piano), José Pedro Sousa (violoncelo) e Ludovic Afonso (violino) para atuarem como instrumentistas. No entanto, seria necessário ainda cumprir duas funções: reger o grupo e disparar os sons eletrônicos que eu viria a programar.
[...a ser continuado em breve na próxima postagem...]
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
diário da serra da estrela #00: residência artística em Portugal
No dia 4 de fevereiro faço uma fala no EIMAD - Encontro de Investigação em Música, Artes e Design com o tema "A reivindicação do corpo na composição musical", discutindo os aspectos corpóreos da composição musical e comento alguns de meus trabalhos recentes.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
deCapitu, o filme
Projeto audiovisual iniciado em 2013 a convite do NME para o selo NMElança, deCapitu explora elementos do Dom Casmurro de Machado de Assis através de uma linguagem visual e sonora experimental e contemporânea. É o resultado de um longo processo, que teve início em 2010, quando Rodolfo começou a experimentar as primeiras partituras com Liliana e Melany como estudos para a trilha sonora de Capitu Desterrada, da Sociedade Baderna de Teatro e Outros Atentados, dirigida por Pedro Mantovani. Em 2011, deCapitu tornou-se um trabalho autônomo, sendo apresentado como uma performance para duas atrizes e sons eletrônicos na mostra Conexões Sonoras 2, a convite do Ibrasotope. A parceria com Alexandre Charro estabeleceu-se em 2013 e o material performático e eletroacústico de deCapitu passou a ser trabalhado até chegarmos à forma audiovisual atual.
Com cerca de 40 minutos de duração, divididos em seis capítulos e um intermezzo eletroacústico, este filme não busca encenar a desventura amorosa entre Bento e Capitolina, uma história demasiado familiar. Em vez disso, nos faz confrontar com uma voz silenciada há mais de um século por um narrador suspeito, por quem temos nos deixado envenenar em sua conversa de bom moço, a ponto de nos tornarmos cúmplices de uma construção narrativa que beira a perversão paranoica. Em sua proposta sonora e imagética, deCapitu afasta-se de qualquer atitude acusatória. Afinal, leva em conta a concretude da punição narrada por Machado, sem direito a apelação ou defesa: Capitu termina o romance exilada, morta e enterrada na Suíça, pouco importando ao narrador se a suposta traição permanecer fantasiosa e não comprovada. Por isso, deCapitu corporifica a voz desta personagem que luta para superar a sua única certeza: a de que sua derrota estásubentendida nas regras do jogo.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
compositor como performer: interpretando marcela lucatelli
quinta-feira, 16 de abril de 2015
flores desse maio: três concertos além-mar
Aos amantes da ópera, o título de minha peça já denuncia a audácia de tomar a célebre ária de Puccini como ponto de partida. É a partir desse material que construo um jogo cênico-musical, composto em sua totalidade por 22 fragmentos-cartas cuja ordenação pode ser sorteada pela intérprete durante a performance. Ainda este ano, este projeto prevê apresentações também no Brasil e na Dinamarca.











